52ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Psicologia

Agenda 2030 e o papel da Psicologia nos 17 ODS

Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um apelo global à ação para acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima e garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade.

Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2015 e compõem uma agenda mundial para a construção e implementação de políticas públicas que visam guiar a humanidade até 2030.

Saiba mais sobre cada um dos 17 ODS e sua relação com a Psicologia.


ODS1No primeiro tópico abordamos a Erradicação da Pobreza. Você sabia que as empresas têm um papel fundamental nessa etapa?
A empresa que garante boas condições de trabalho a todos os empregados, incluindo os da cadeia de suprimentos, promove o objetivo de erradicar a pobreza.
Quando uma empresa desenvolve produtos ou serviços para beneficiar e melhorar a qualidade de vida de grupos economicamente vulneráveis, esta trabalha para cumprir o objetivo de erradicação da pobreza.
De uma forma ampla, neste primeiro tópico, o objetivo principal é nosso compromisso enquanto sociedade é de acabar com a pobreza em todas as suas formas e onde quer que seja!

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ODS2Quando o direito ao acesso adequado aos alimentos não é garantido, essa população pode sofrer com a Insegurança Alimentar, um problema de saúde em todo o mundo.
Na realidade brasileira, a insegurança alimentar é mais frequente entre famílias não beneficiárias de programa social, sem acesso a água tratada e esgoto no domicílio e o acesso a programas de distribuição de renda como o Bolsa Família podem reduzir a Insegurança Alimentar.
Dentre as alterações comportamentais geradas por desnutrição ou supernutrição estão a ansiedade, a aprendizagem e a memória.
O estado nutricional, desde a concepção, é um dos fatores que influenciam a capacidade de aprender, de lembrar e de interagir com o ambiente e por isso também interfere na capacidade de trabalho e criação do indivíduo.

Fontes: Almeida, Costa & Laus (2022). Psicobiologia do Comportamento Alimentar. Rio de Janeiro:Rubio.
Figueroa-Pedraza, Alves-Bezerra, Dantas Rocha Cerqueira, & Santos-Da Fonsêca. (2017). https://doi.org/10.15446/rsap.v19n5.39467
Palmeira, Bem-Lignani, Maresi, Mattos, Interlenghi, & Salles-Costa (2019). https://doi.org/10.1007/s11205-019-02085-0

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ODS3Assegurar uma vida saudável e promover o bem-estar para todos, em todas as idades.
A psicologia como ciência e profissão é responsável por avanços em saúde global, como o desenvolvimento de programas de psicoeducação em bem-estar e saúde mental, formação de psicólogos e outros especialistas, oferecimento de cuidados de saúde e combate ao estigma e discriminação.
A formação do psicólogo para atuar na área da saúde contempla conhecimentos sobre bases biológicas, sociais e psicológicas da saúde e da doença; avaliação, assessoramento e intervenção em saúde, políticas e organização de saúde e colaboração interdisciplinar; temas profissionais, éticos e legais e conhecimentos de metodologia e pesquisa em saúde.
A saúde mental deve ser tratada como prioridade, pois está presente em todas as questões de saúde. Opressão de gênero, exclusão e injustiças sociais, falta de suporte social estão associados a transtornos mentais comuns. O estigma em relação às doenças mentais, a hetero afirmação e crenças e práticas do senso comum são barreiras ao acesso à saúde que o podem ser minimizadas com produção de conhecimento, formação e implementação de estratégias mais adequadas.
A SBP, juntamente com suas instituições parceiras estimulam a formação, a pesquisa, e a disseminação de conhecimento sobre saúde comprometidas com a proteção dos direitos humanos e com qualificação e avaliação do sistema público de saúde.

Fontes: Castro, E. K. D., & Bornholdt, E. (2004). Psicologia da saúde x psicologia hospitalar: definições e possibilidades de inserção profissional. Psicologia: ciência e profissão, 24, 48-57.
Souza, L. G. S., Menandro, M. C. S., Couto, L. L. M., Schimith, P. B., & Lima, R. P. D. (2012). Saúde mental na estratégia saúde da família: revisão da literatura brasileira. Saúde e Sociedade, 21(4), 1022-1034. 

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ODS4Assegurar a educação inclusiva e equitativa e de qualidade, e promover oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todos.
Até 2030, garantir que todas as meninas e meninos completem o ensino primário e secundário gratuito, equitativo e de qualidade, que conduza a resultados de aprendizagem relevantes e eficazes.
O direito a educação é garantido por meio da Constituição Federal de 1988, da Lei Nº 8069/90- Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB 9.394/96, que prioriza o acesso e a permanência do aluno na escola, objetivando a formação do usuário para o exercício da cidadania, preparação para o trabalho, e sua participação social.
A escola é junto com a família a instituição que tem maiores reprecussões para a criança. Além dos conhecimentos, o ambiente escolar promove a socialização e individuação da criança, o desenvolvimento das relações afetivas, as habilidades para participar em situações sociais, a competência comunicativa, o desenvolvimento da identidade sexual e das condutas pró-sociais.
A escola pode contribuir de para a promoção da saúde e da saúde mental, como um ambiente saudável e protetor, seja preocupando-se em desenvolver nas crianças recursos que as ajudem a lidar com os desafios cotidianos e que permitam a elas se perceberem como protagonistas dos processos de saúde.
A Psicologia Escolar e Educacional é um importante campo de atuação da Psicologia. Psicólogos escolares e educacionais são profissionais que atuam em instituições escolares e educativas, bem como dedicam-se ao ensino e à pesquisa na interface Psicologia e Educação.

Fonte: Borsa, J. C. (2007). O papel da escola no processo de socialização infantil. Rio Grande do Sul.
Faria, N. C., & Rodrigues, M. C. (2020). Promoção e prevenção em saúde mental na infância: implicações educacionais. Psicologia da Educação, (51), 85-96.

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ODS5Igualdade de gênero e é o quinto dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável estabelecidos pelas Nações Unidas em 2015. A redação oficial do ODS 5 é "alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas". Dados mostram que a presença feminina cresce em todos os aspectos da vida brasileira. As conquistas femininas aconteceram de forma gradual e progressiva e posicionaram as mulheres para romper com o teto de vidro e atingir o empoderamento no século XXI. O processo de despatriarcalização ocorre de maneira lenta e suas bases legais estão em declínio. As mulheres aumentaram a participação no mercado de trabalho, mas ainda sofrem com a segregação ocupacional, discriminação salarial e dupla jornada.

Alves, J. E. D., & Cavenaghi, S. M. (2013). Indicadores de desigualdade de gênero no Brasil. Mediações-Revista de Ciências Sociais, 18(1), 83-105.
Giudice Narvaz, M & Koller, SH (2006). Famílias e patriarcado: da prescrição normativa à subversão criativa. Psicologia & Sociedade, 18: 49-55

As mulheres ainda vivenciam desigualdade de oportunidades, de tratamentos e de direitos no mundo do trabalho. A produção científica nacional sobre trabalho e gênero indica que características e traços que colocam as mulheres em situações de inferioridade com relação às suas capacidades físicas, cognitivas e, consequentemente, laborais ainda são naturalizadas. Essas características atribuída às mulheres são usadas como justificativas para as barreiras implícitas para a entrada, permanência e ascensão das mulheres no trabalho.

Rufino, VM, Torres, TL, & Zambroni-de-Souza, PC. (2019). Gênero e trabalho na psicologia: revisão sistemática e metanálise qualitativa. Revista Psicologia Organizações e Trabalho, 19:588-597. https://dx.doi.org/10.17652/rpot/2019.2.15124

 A violência contra as mulheres tem caráter sexista fortemente definido; mas outras violências atingem mulheres de maneira singular. A violência racista é responsável pelo assassinato cotidiano de mulheres e, mais ainda, de homens negros; a violência urbana produzida pelas profundas desigualdades econômicas e sociais do país; a violência rural, que surge a partir das disputas territoriais e fundiárias. Mulheres jovens e negras são mais vulneráveis à violência, tanto dentro como fora de casa. A maior parte dos ataques contra mulheres são cometidos por homens, e homens conhecidos, inclusive quando a violência se dá fora da residência. A casa ainda é o espaço mais frequente da agressão de mulheres.

Engel, C. E. A Violência contra a mulher. IPEA https://www.ipea.gov.br/retrato/pdf/190215_tema_d_a_violenca_contra_mulher.pdf

Os benefícios da igualdade para a saúde só podem ser verdadeiramente alcançados depois que as expectativas sociais de gênero forem alteradas. Legislações igualitárias não são suficientes. A desigualdade de gênero está presente na exposição e nas reações aos estressores: as mulheres experimentam mais estressores crônicos do que os homens e consideram os estressores mais ameaçadores.

Mayor, E. (2015). Gender roles and traits in stress and health. Frontiers in psychology, 6, 779.

A equidade de gênero implica no atendimento equitativo das necessidades de homens e mulheres. Os efeitos da desigualdade de gênero nos processos de produção de saúde-adoecimento-cuidado e necessidades em saúde mental são testemunhados por psicólogas da atenção básica no atendimento a mulheres em unidades de saúde do SUS. A debate de gênero tem desafiado e transformado alguns conhecimentos já instituídos em diferentes linhas da psicologia. A problematização de gênero, bem como os espaços coletivos de reflexão e trocas para compartilhamento qualificam o trabalho de psicólogas e psicólogos.

Franco, M. H. D. C., Fajardo, A. P., Cardoso, P. A. P., & Mello, E. D. D. (2021). Desigualdade de Gênero e Escuta Psi de Mulheres Atendidas na Atenção Básica. Psicologia: Ciência e Profissão, 41.

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Os ODS e o papel da Psicologia serão publicados e divulgados pela SBP semanalmente no site e redes sociais da SBP. Siga-nos no Instagram: @sbp.psicologia

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Acesse www.pactoglobal.org.br/ods para saber mais sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável abordados na Agenda 2030!

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